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domingo, 22 de maio de 2016

Sounds of LXsbon

Hoje a calçada estava repleta de sons descomprometidos, os melhores bolos de chocolate do mundo e de artefactos inovadores.
Start-Up engines
Exposições de arte urbana, predadores desenhados e atores com vontade própria.
Os ruídos do cimo da ponte, as colunas que espalhavam música instrumental e gente sofisticada que convivia com a calçada irregular.
Podia ser Berlim (as louras vestidas de preto, de forma cuidada e esbeltas sandálias, sentavam-se entre o lancil do passeio e a banca dos amuletos de metal)
Ou Londres ( as paredes de tijolo vermelho rodeiam as mesas de scones e cerveja a copo)
Ou Amesterdão (as bicicletas de cestinho preto atravessam os canais e contornam os túneis sem receios nem preconceitos) 
Mas um vento quente subia a rua, vindo do grande mar que se chama Tejo, contornando o veleiro sem velas içadas que descansava em Alcântara.
São, sem dúvida, sons de LXsboa!

Adão & Adão

Marciano trepador

Capuchinho urbano

Voices

Shadows at the door

Messages through the bottle


Stairs to start-ups and photo exibitions

Vanity Fair

Wake up window 

Human trees

domingo, 25 de novembro de 2012

S. Miguel, as vacas estão de pé


Para o açoriano oriental não há mosquitos que não se possam resumir a piolhos que pululam, lá longe, na ilha rival…
Rival?
Lapas dos Açores ou da Madeira?
As dos Açores são melhores!
Pois!
As petingas do mar açoriano ainda não têm medidas mínimas comunitárias e, por economia e conforto, se devoram sem temor pelas espinhas morfologicamente compatível com os humanos.
Em S. Miguel respira-se beleza em estado puro, quase selvagem não fossem os canteiros primorosamente aparados, os miradouros recortados pela relva que nasce da chuva e as hortênsias plantadas pelos jardineiros do Éden.
É um intervalo, a Atlântida entre a América e a Europa (duas faces da mesma centralidade), as tempestades e o silêncio dos pastos, as lagoas e o mar enrolado, tão inatingível que chega a cansar.
É a última fronteira de(o) paraíso, à deriva nos elementos do atlântico, os ventos que empurram as correntes, fustigam as encostas da avenida marginal e se deixam acariciar pela paisagem que renasce do temporal medonho qual Génesis, numa manhã inundada de cores de Outono.
 
 
Entre as rochas negras um solitário, louco e amador surfista desafia as ondas e perde sistematicamente o desafio com o branco da espuma, que renasce a cada meia dúzia de segundos, do azul do mar
Mas confia na fé imensa, refletida no rochedo que, sob a forma de um mosteiro, enquadra a imagem de fundo imenso.
Mosteiros, ilha de Miguel
Se as vacas estão deitadas, então vai chover!
As quatro estações do ano no mesmo dia cansam as vacas dos Açores
Deita, levanta, deita e levanta!
O açoriano oriental, ao volante da nave do paraíso ri de prazer genuíno.
Mitos urbanos não resistem a estas visões do verde reconfortante da terra e do azul profundo do mar!
E ao silêncio, e à intocada inacessibilidade do lugar!
 
 

quarta-feira, 14 de março de 2012

Angra, exótica decadência


Angra ontem de manhã luminosa dava-se ares de cidade do Império chamado mundo, com salpicos de Paraty ou Ceilão, vestígios e pequenos espelhos dos exóticos destinos, origens das preciosas e longínquas mercadorias.
Angra la preciosa, um porto de passagem que recebia pequenas gotas de seiva cosmopolita e de globalização (a primeira globalização portuguesa) que pingavam como gratificações num porto de abrigo imerso na cidade moderna e esculpida pelo Renascimento
Uma lógica de vivência "não somos aventureiros mas partilhamos as suas fronteiras"



Vista do alto da memória, a encosta e o vale compuseram-se em igrejas e conventos, convenientes repositórios de relíquias e tesouros descobertos no além-mar, pequena recompensa pela alma confortada, na ida ou no regresso, na derradeira fronteira entre o mar conhecido e o mundo!
A densa e exótica vegetação, a pedra escura e o mar azul profundo reforça a sensação de feitiço, uma conexão quase sobrenatural com a vontade de descoberta e uma necessidade de viver a centralidade, de absorver os cheiros, as cores, os sabores e os costumes dos confins do universo em permanente descoberta.
Passado, glorioso passado!


Mas na descida aos vales da Angra moderna, o feitiço de Vénus e Júpiter (também na Terceira o céu alinha Vénus e Júpiter, ali e em todo o lado numa combinação rara), tende a desvanecer-se no difícil balanço entre uma ruralidade predominante e uma juventude inquieta que reinventa a modernidade - e os seus clichés - numa reacção insular e portanto potencialmente exacerbada, um protesto latente porque cercado de água e (apenas) fisicamente (equi) distante dos modelos civilizacionais ainda na moda
Nesta manhã solarenga de Verão surpreendente (até nos Açores há Sol e seca nos tempos que correm) os figurantes da baixa da cidade parecem não se aperceber que eles, as ilhas e o Atlântico, unem hoje as pontas da civilização Ocidental
E é esta basicamente a nova utilidade funcional do Atlântico e dos seus habitantes!
Presente, entorpecido presente!
Bem-vindos ao novo entreposto entre a periferia económica e o centro cultural do mundo.
Seis séculos depois.