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sábado, 24 de setembro de 2016

Sophisticated Linda


Linda é uma mulher de corpo ágil que levita sobre novas experiências sensoriais e que transporta um olhar que espelha a avidez, a inquietação e as visões alternativas do mundo exterior.
Cidade, metrópole e capital.
Linda é a mulher que veste roupas largas em cores discretas, agita as mãos semicobertas por lãs de cores quentes,
mãos que argumentam,
olhos que se espantam,
mãos que seguram os copos de café quente,
boca que mordisca cookies de amêndoa,
dentes que se tornam estaladiços,
olhos que se escondem.
Linda, a mulher sofisticada não é um lugar-comum e não habita num lugar só.
Corre ao longo do rio, caminha apressada nos passeios, traça as pernas longas nas esplanadas de fim de estação, senta-se de pernas cruzadas no chão de cimento das galerias e dos museus, integra-se nas paisagens de verde e cinzento da cidade do norte.
Frequentemente emanando tranquilidade, erudições e reflexão profunda.
Ou inquietação e cansaço.
Mesmo quando corre
Mesmo quando fala, muito raramente.
Hoje Linda é uma auréola iluminada pelos reflexos de luz do grande ecrã de Luanda-Kinshasa, um documentário cuidadosamente decorado para reproduzir o legendário estúdio de gravação de Nova Iorque e, no qual, uma banda de musica de fusão improvisa novos sons de jazz, funk e afro beat, simbolizando quiçá o renascimento das nações africanas.
Luanda – Kinshasa numa sala escura
Sentada no chão de cimento do 180 Strand, costas direitas, cabeça levantada coberta de cabelos louros e compridos, vestida de malhas e mãos finas que se recolhem no regaço e um olhar tão deslumbrado que não se percebe, observando da escuridão, se a luz que a trespassa é o reflexo do ecrã ou o projetor das imagens que compõem as personagens experimentais ao longo da parede, que dão sentido à sua música e às suas expressões.
Os grandes óculos de aros de massa preta são apenas um último detalhe que, no momento, me pareceu irrelevante.
Linda, a mulher sofisticada, reflete-se nos prédios envidraçados da cidade financeira mas afirma-se distante de todos os lugares comuns.
Como uma afirmação da grande metrópole, inspirada numa redentora liberdade de gestos, de identidade, de movimentos e de fortuna.





Espreguiçada nas grandes almofadas de tecido cinzento, que se estendem ao longo da grande vidraça, do cheiro a café quente, na loja da cozinha ou no centro de recolhimento, descanso da escuridão das salas e da intensidade das mensagens.
Linda, com vista para a cidade, de auscultadores brancos que lhe envolvem o pescoço e lhe conferem uma pose de diva adormecida.
Para quem vive uma absoluta centralidade, Linda interroga-se se algum dia a cidade lhe concederá aquele abraço a que se chama família.
Para lá da modernidade, envolvida pelo mediatismo do lugar e pelo frenesim das multidões que não param de partir e de chegar, ela já não se imagina viver noutro lugar.


Hoje Linda é uma mulher madura, mãos descobertas e veias que se agitam em cada tecla premida no seu smartphone e transporta uma postura inquieta.
Não há serenidade no seu vulto cansado.
Cheira a café quente e ela debruça-se sobre a janela do café de esquina, trocando acenos com a cidade que desfila com um frenesim de dia de feira.
De café com leite na mão esquerda, a Linda madura tem voz e zanga-se com  impaciência com as hesitações que exalam do aparelho que segura na sua mão direita.
De costas para a pequena realidade que se acomoda no café da esquina, a melhor vista de um café de esquina na cidade, esconde o rosto num corpo magro, mais magro que esguio, que se ajusta num fato de treino cinzento.
Um corpo elástico num fato elástico.
Linda cruza as pernas e agita os cabelos louros e compridos e define-se através de um sotaque nobre e pronunciado.
Por fim desiste do aparelho e recolhe-se no silêncio.
Num momento de distração revela o seu rosto.
Como se adivinhava pelas mãos, é um rosto gasto pelos invernos da cidade.
Solitário é o adjetivo comum para Linda, nesta linha contínua que liga gerações diferentes.
Na cidade do teatro e dos seus (dela) palcos do sucesso e da realização, a madura Linda vive há quase trinta anos, tempo de sobra para apagar os vestígios de qualquer outra existência, mas o seu olhar furtivo revela-nos que este não é o seu lugar
Vinte e oito anos e dois casamentos fracassados, esta é uma cidade que nunca lhe concedeu aquele abraço chamado família.
Tantos anos de palco e de histórias que se contam todas as noites, décadas a fio.
E a madura Linda conta-nos a sua última história, apenas com os olhos.
Mergulhando os lábios volumosos no café com leite, de olhos pregados no vidro, a mulher madura, sofisticada, artista e contemporânea liberta um desabafo, que apenas a rua decifra.
“Este não é o meu lugar”
Pergunto-lhe o nome e ela, surpreendida, responde:
“Linda”
Eu sorri.

Era óbvio.




terça-feira, 7 de abril de 2015

Walking Distance IV - Mislead

As cidades também são um território de mensagens dúbias, imagens que não são o que parecem, contrastes de diversidade no contraditório, o inesperado debaixo da nossa vista, as personagens desfeitas pelos efeitos da luz e pelo arrastamento de quem quer parar o tempo.
Enganos ou ilusões, portanto!




90 anos luz


A Praça do Império é a mais bem conseguida contradição da cidade.
Arquitecturas e principalmente História, regimes e uma projecção optimista do nosso futuro.
Num equilíbrio apenas possível pelo desfasamento temporal dos seus criadores.
À saída do CCB, Jerónimos à esquerda, fonte luminosa pela e padrão dos Descobrimentos à direita sobre o rio
( e ainda o museu dos coches, o palácio de Belém e a fábrica dos pastéis de nata dentro do espaço sensorial), percebemos que o tempo e a distância dos acontecimentos, tendem a criar harmonias a partir dos contrastes. 
E que todo o passado é bom para se construir um futuro.
A imagem da formatura dos alunos da Casa Pia, em 1924, ocupa apenas um pouco mais de metade da imagem, não porque o passado valha mais que o presente, mas porque é preciso mostrar a geometria completa de uma parada do recente Estado Novo, para que se entenda o contraste entre a rigidez de um certo passado e a informalidade do presente, três jovens desalinhados que olham a fonte apenas pela cor.
Ou, noutro prisma, nos apercebermos que a perfeita geometria da calçada (arte, esforço e vontade) portuguesa realça o espírito livre dos jovens do presente, como contraponto ao  alinhamento bélico de uma outra época.
E naquele fim de tarde de um Janeiro luminoso, a Praça do Império, voltava a ser o centro do mundo, composto por uma multidão multinacional de cidadãos.
90 anos luz separam as duas meias imagens

(Janeiro 2015 - Lisboa, Praça do Império)


Sombras chinesas


Na praça vazia, iluminada nos lados e escura ao centro, a infância que vive em mim despertou as memórias das formas que construíamos com as mãos contra as paredes brancas e iluminadas pelos candeeiros de mesa de cabeceira.
E as formas resultantes nunca eram consensuais.
Criatividade na disputa.
Mas nesta realidade construída. os seres não têm pernas ( as pobres arrastadas pela minha falta de velocidade) os candeeiros que deviam servir de foco, são parte integrante da composição, (os faróis do saber, ou uma barreira de luz que reforça a escuridão do centro)

(Maio 2014 - Cascais)


No Smoking


Pretendia captar a liberdade do espaço aberto, uma passadeira que atravessa o mar, mas deixei lá o reflexo para que ele me traísse porque nós humanos não somos capazes de sobrevoar espaços imensos sem a força da máquinas e a segurança dos elementos
Afinal de contas não somos pássaros e precisamos sempre de uma margem à qual nos agarrar!
Há o querer e há o poder!

(Junho 2014 - Lisboa, Parque das Nações)


Gangsters


Pura miragem. Os cinco jovens até podiam ser gangsters (tinham uns blusões destoados do tempo e do contexto e um sotaque bandido). A jovem, sentada no anfiteatro virado para o mar, tão só e tão vulnerável até podia ser uma vítima. Pura miragem, de facto, porque os jovens entretinham-se a atirar pedras para o mar e a jovem, tão embrenhada na leitura nem levantou os olhos. Soberba indiferença.
Cá em cima, éramos mais que muitos
Se ela abrisse os olhos, todo aquele anfiteatro em forma de olho se abriria e arrastaria os jovens dos blusões de cabedal para o mar.
Como lágrimas
Como ramelas

(Fevereiro 2015 - S.Pedro Estoril)


Labirinto


Os únicos seres que deambulam pelo labirinto, escolhem caminhos diferentes, procuram uma saída que seja diferente da entrada. E não parecem querer encontrar-se, ou então apenas não se viram, porque estão demasiado perto para perceberem que estão sozinhos.
E eu demasiado alto para lhes ler os pensamentos, suficientemente acima para perceber tudo.
Por exemplo, que aquela praça não era um labirinto!

(Dezembro 2014 - Porto)


O fantasma de sapatos brancos


Não é um fantasma. É uma metáfora
Quando não somos suficientemente rápidos, o tempo passa a correr e, depois, só nos lembramos dos detalhes sem importância.
Dos sapatos brancos!
E eles voam na nossa frente, e quanto mais rápidos eles são, mais nos treme a mão.
Na cidade mundo, esqueci-me de lhe perguntar de onde vinha e para onde ia.

( Setembro 2014 - Londres, Trafalgar Square)

PS: Voltei a sentir a mesma impotência, no último Domingo à tarde, Páscoa por ironia. O destino era Londres, só os sapatos não eram brancos e sabia donde ele vinha!


O Português


Tão inesperado como óbvio. Na cidade do mercantilismo, só o flamengo condiz com os prazeres do Porto. 
Na cidade, outrora capital da Flandres, só fica bem uma marca de Portugal.
Por toda a cidade, em todas as ruas, o símbolo da nossa afirmação no mundo, mostrava-se orgulhosamente em campanha.
Apesar da indiferença dos transeuntes.
Também o que percebem eles de vinho? - Nós não admitimos, por definição, que nos ignorem, a não ser por ignorância (deles)
É ( o ser) português, pelo mundo fora

(Abril 2014 - Antuérpia)



domingo, 5 de abril de 2015

Walking Distance III - Movimentos

Sempre senti um fascínio canino pelas rodas das bicicletas, enfim, por todas as rodas.
Cidade é movimento, e não há melhor forma de definir uma urbe que não seja através dos seus meios de transporte: cidade verde, cidade industrial, cidade jovem, cidade enérgica, cidade mãe, cidade rio, cidade frenética, cidade negócios, cidade história, cidade moda, cidade pressa, cidade frenética, cidade monumental ...
E quase sempre, fico em terra!



Lugares do morto


O Museu / Fundação EDP é um (meu) espaço de veneração, não fosse ele/a o abrigo do World Press Photo, dos sete mil milhões de seres, dos momentos de paz interior nos espaços silenciosos da outrora ruidosa central eléctrica, rodeado de arte de vanguarda (ou apenas contemporânea) e até me esqueço do preço que pago pela electricidade (entre outros inaceitáveis privilégios).
E a saída do museu é um ritual: sempre pela saída do rio (e a entrada sempre pela entrada terra), respiro o rio, seja de dia, ao anoitecer ou de noite, volto-me para a imensidão de tijolo vermelho que nos enfrenta e sinto-me uma espécie de revolucionário industrial, cercado de máquinas do passado e da ponte sobre o Tejo.
Naquela tarde de Maio, encolhi-me no corredor dos peões e agarrei-me ao único pedestre que circulava na via certa.

( Maio 2014 - Lisboa ribeirinha)



Voando sobre o mar da palha


E em Junho voltei ao teleférico da Expo, porque de toda a família só ela, a mais graúda e mãe de família nunca tinha sobrevoado o mar da palha. Dezasseis anos depois da Expo, a máquina ainda funciona e a vista do carrossel continua surpreendente...como se fosse a primeira vez, no dia 18 de Agosto de 1998, quando levei o miúdo à Expo de barco, e a mãe não veio porque a irmã tinha nascido.
O mesmo rio mar da palha, naquele castanho pardacento, o mesmo passadiço de madeira moderna, só as sombras horizontais de um fim de tarde de Verão nos diferenciam da primeira vez.
Não resisti às seis sombras da direita, debruçadas sobre o (agora) cinzento rio, à sombra da bicicleta e à minha própria sombra, enforcada no poste, como um outro quadrado qualquer!

( Junho 2014 - Lisboa Expo)


Tripé


As filas de bicicletas municipais em descanso, a última das inovações dos presidentes modernos e populistas, é uma das tentações do Cristo feito fotógrafo..A estátua no topo da Gran Via, alinhada com a fila de bicicletas em V dava ao enquadramento o aspecto solene e depois,  e, quatro fotos depois, foi só esperar que a pequena se deixasse cortar a cabeça, salvando-me dos direitos de imagem.
Só o velhote dos braços cruzados pareceu não gostar que eu tivesse enrolado o parceiro em volta do quadro.
Menos óbvio foi o reflexo do anjo do alto da cúpula, na terra; a pequena que emerge no último V da imagem, uma sombra artificial de um qualquer elemento santificado pela cidade monumental

(Março 2015 - Madrid Gran Via / Cibelles)


Mind Games


Na City, tudo é mais arrumado, e não há selins de alturas diferentes, as bicicletas têm uma marca única e de respeitada solenidade...e porque os ingleses são mais distantes, deixei-os ao longe, vestidos de casual friday, transmitindo a errada imagem - no presente, um absoluto mito urbano - de que a cidade é limpa, geométrica, arrumada e verde.
Mind Games

( Setembro 2014 - Londres "City")


Close - Up


Esperam eles pelo eléctrico ou pela jovem que empurra um carrinho de criança?
Ou talvez a palmeira espere a jovem e os outros o eléctrico.
Movimento que, vindo do lado direito da fotografia, empurra os elementos estáticos, que se percebe serem oriundos da cidade histórica.
O close up possível da melhor vista da cidade!

(Dezembro 2014 - Porto Clérigos)


O ouro dos barbudos


Agachado entre mais ou menos um século de História - Terá durado mais o saque americano? - até acho que a torre do ouro não é tão impressionante como o sangue derramado ( ou o esplendor das conquistas, conforme a perspectiva).
Faltava-lhe contraste, apesar do amarelo falso com que a pintei. 
Ao fim da quinta fotografia, descobri uma utilidade dinâmica para a torre, contrastante que baste, seja qual for a ambição: escuro e claro, formas redondas e quadradas, vertical e horizontal, lazer (bicicletas) e trabalho (ouro, ou talvez guerra)

(Outubro 2014 - Sevilha)


Passadeira vermelha


Rodeado de símbolos da prosperidade da era do comboio a vapor, pareceu-me que a reconversão numa cidade de moda e lazer só estaria completa se estendêssemos a passadeira vermelha à elegância, ao espaço pedonal e à ciclovia inexistente, porque também há peões com duas rodas!

( Abril 2014 - Antuérpia)

Poster


Os fotógrafos machos da excursão, competiam pelo melhor poster. Eu acho que ganhei, porque a minha era mais graciosa que a deles!

(Abril 2014 - Antuérpia)


O revisor


Pelo meio do dia de um Sábado de Abril, aproximamos-nos convictamente do século XIV, mas ao contrário do que se poderia esperar de uma região que também foi proeminente por causa da sua capilaridade fluvial, viajamos de cavalo de ferro, a grande invenção europeia do século dezanove.
Porque somos muito modernos!
E o revisor era o único ser de carne e osso ao alcance da objectiva.

(Abril 2014 - Gent)


Aparição


Enquanto disparava furiosamente contra o ruidoso eléctrico do pós-guerra, surgiu-me uma aparição, solene, equilibrada e distante da trepidação frenética da cidade mercantil!
Puro acaso!

(Abril 2014 - Antuérpia)

domingo, 1 de abril de 2012

A cidade Guggenheim




E subitamente, o reino do fantástico e do exuberante!
O Sol poente de fim de tarde provoca a incandescência na onda metálica, e a aranha abençoa a ilha imaginária, as esferas prateadas que se afundam nos lagos exteriores e a multidão que se fotografa em redor desta cidade de um modernismo tão soberbo quanto arrojado.
(Não necessariamente pela arte em si mas pelo símbolo que ela representa)
As placas de titânio são (serão?) as escamas de um peixe absolutamente estilizado, que irrompe de dentro do rio como uma baleia (sim, eu sei que não é um peixe!) e se eleva para além das pontes que unem as margens, mas têm uma personalidade de réptil (esguia e escorregadia, lânguida e perigosa), que rivaliza com o monstro metálico do Loch Ness.
E com o pôr-do-Sol, a cobertura do palácio da arte moderna apagou-se suavemente / a obra de arte da arquitetura contemporânea / a obra da arquitetura da arte contemporânea / não suporta luz artificial e indireta nas noites de luar em Bilbao.
Porque é desprestigiante e anula o encanto do despertar matinal /Sol Nascente, agora subitamente iluminado de tons prata chumbo!
Ou será porque na manhã primaveril, em hora de pequeno-almoço tardio, a vista quase aérea do terraço do vanguardista Domine debruça-se sobre o Guggenheim, tão próximo (debruçada que desfoca) dos telhados (o peixe não tem telhados mas sim escamas, talvez ondas) que a perspetiva da cor se dilui num cinzento envergonhado (o peixe quer mergulhar nas águas do rio, mas o vale é tão estreito que não permite que o rio engula esta obra de um outro mundo).
Para quem deambula pelos espaços abertos do interior desta catedral de modernidade, esta é uma estonteante alegoria aos sentidos, porque entramos noutra dimensão (os espaços abertos abrem-nos a mente para além do que julgamos possível) e chegamos, a espaços, a rever-nos com uma nitidez surpreendente na história contemporânea em peças que, noutro contexto, se tornariam opacas, inexpressivas e sem valor documental.
Independentemente da amplitude da nossa compreensão pelo abstrato, o museu é um desfile da história recente, primeiro espanhola e depois europeia, dispersa (sim, o termo é dispersa) pelos espaços gigantescos sobre o qual qualquer um vai pairar – goste-se, entenda-se, ou nem uma coisa nem outra!
A arte espanhola do século vinte é marcada pelo sofrimento e pelas almas rasgadas, feridas expostas em quadros que usam materiais pobres, industriais que se dilaceram, no sentido figurado e no sentido tão real, que juraria que a serapilheira tinha sangue.
São obras que choram as bizarrias egocêntricas da violenta e sangrenta política espanhola num país fechado e paternalista, um passado que começa a ser longínquo mas que permanece no referencial (vivo como se de um aviso se tratasse) consciência colectiva de um povo (ou de um conjunto de povos).
Sim, é possível sentir tudo isto num museu, talvez demasiado influenciado pela exposição de material fotográfico da guerra civil espanhola – a mala mexicana – tão detalhada, tão reportagem, tão Capa, exposta na véspera na única sala cheia de visitantes do museu de Belas Artes.
De espanhóis, daí a certeza de que existe uma consciência colectiva em estado latente, provavelmente sem feridas impossíveis de sarar.
Não, não vi carne viva, senti curiosidade e vontade de manter viva a recordação.
Definitivamente o século XX espanhol (ibérico) foi uma península periférica da (consciência da) Europa em construção
Qual jangada de pedra!
Enquanto isto, os autores europeus lançavam-se (embrenhavam-se) em universos experimentalistas absolutamente provocadores, procurando novas (cósmicas) fronteiras que escandalizariam as gerações contemporâneas e deixam-nos hoje, e ainda, perplexos!





Absolutamente fora de qualquer área de conforto, a cidade Guggenheim é definitivamente a desculpa ideal para visitar Bilbao!