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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Não somos imortais - Auchwitz 70


A crueldade, como um acelerador de partículas colocado antes dos obstáculos (alvos humanos) e depois de uma ambição de glória é apenas a representação mais primária da nossa mortalidade.
Se fossemos imortais, cuidaríamos do nosso longo futuro preservando o presente
Quando olhei pela primeira vez para a planície desolada de Auchwitz - Birkenau, convenci-me que a única solução que baniria o extermínio gratuito, uma recorrência histórica tão certa mas tão imprevisível como os terramotos, seria criar na espécie humana, uma generalizada sensação de imortalidade.
Um mito, uma utopia professada de que todos nós podíamos ser imortais, como nos filmes em que há uns que são e outros não, mas aqui neste filme, todos nós estaríamos convencidos que o éramos e, quando percebêssemos que afinal não éramos, já não perceberíamos, porque a inevitável mortalidade já nos teria colhido.
Assim, na ganância de conquistar a imortalidade no paraíso terrestre, evitaríamos queimar o nosso próprio e longo futuro.
Parece idiota?
Não mais que o delírio enterrado nesta estepe desoladora.

Desde que o Leste deixou de ser tabu, Auchwitz (e sobretudo Birkenau) passou finalmente a fazer parte integrante da memória colectiva europeia.
E os polacos tudo fazem para garantir que a visita aos campos onde "o trabalho liberta" seja, para todos, uma experiência desconfortável
Muito recomendada, por isso mesmo, e porque os ventos de leste sopram outra vez cortantes.
Em 2004 e em 2011 (sim, o puto tinha de conhecer Auchwitz)
Gelo, surrealismo, euforia e desespero
Outra vez o prelúdio para um cocktail de insanidade.
Antes que tudo se repita outra vez!
Registos de 2011 em...




segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Nos desertos de Oswiecim















Polónia acordou-nos à uma da manhã em território checo – que atrevimento – para a dura vida de viajante em classe secundária, numa certeza que anteontem julgava impossível: existe periferia no centro da Europa.
Chegar a Auchwitz de comboio pretende ser uma réplica bem encenada da última viagem dos judeus em direcção ao martírio.
É melhor porque sobrevivemos ao abuso de poder dos revisores polacos – reminiscências? – à completa indiferença dos checos com o nosso destino – esta é uma Europa que ainda não se assumiu como clube e nos faz lembrar que não é um país.
Oswiecm parou no tempo e a madrugada fria, infestada de polacos alcoolizados à espera de um autocarro que os leve e nos deixe em paz com a impossibilidade de comunicarmos, uma província que permanece triste, quem sabe em respeito pelo ainda não compreensível massacre que ali se morreu.
Oswiecim é uma fila interminável de nomes, fotos, números e objectos que relatam, com uma provocadora crueza as atrocidades de uns – sempre os bem identificados alemães – contra outros.
Impressionante, sempre.
Arrepiante e incompreensível, demais!
Graças a um Deus maior regressámos à civilização e à alegria de viver na moderna Cracóvia.
Já sentíamos a falta de um sítio assim e apenas tínhamos saído de Praga havia vinte horas