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domingo, 4 de março de 2012

Cap Vert - Jonas qui aura plus 25 ans en l'an 2030


É uma visão de conto encantado, um futuro na terra prometida, equidistante dos conflitos e dos extremismos, fiel à sua localização atlântica, central, entreposto e praias de uma sedução sem fim.

http://atlantico-weekly.com/cape-verde-in-2030/

Pretende ser proféctico. Será? 
Não sei se é verdade, se é pelo menos exequível mas é um plano estratégico plausível, baseado no fascínio mundial pelo exótico de sabores mornos (e mornas) e sem as loucas histerias tribais do continente.
É um bom presságio para esta recém descoberta e improvável wonderland emersa dos vulcões e dos desertos, promessa verdejante que vem do mar, das aparentes fraquezas vistas de um prisma positivo (e estratégico) e do além-mar!
Lembremo-nos apenas que nem todo o desenvolvimento se constroi de cimento!
Os miudos ( que em 2030 terão provavelmente mais de 25 anos) merecem!
Mesmo que seja apenas uma profecia!



Lembrei-me das profecias da nossa infância: muito mais politizadas, socialmente complexas, incluíam uma vasta legião de perdedores e destruiam em cada cena a possibilidade de encontrarmos alguma terra prometida.

Quem não se lembra do icone de Alain Tanner em 1976 quando esperávamos que Jonas tivesse 25 anos no ano 2000?



  
Em 2012, nós, sul latinos europeus, que tínhamos (um pouco) mais de 25 anos no ano 2000, olhamos para esta nova visão sedutora e sensorial (numa outra e mais madura perspectiva) de reforma que provavelmente não vamos ter...ou não...como um lugar ao Sol na linha dos trópicos!

Perdemos mesmo a conciência ideológica!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sal magia branca


Se não somos africanos então somos o quê?

O bafo nocturno e tropical denuncia as origens numa hora tão tardia quanto improvável, mas a diáspora revela-se em todas as pausas
Patrício, família do Rui Patrício? – Entre um carimbo no passaporte, uma anuência perante o castrador visto, apenas uma incómoda intromissão na amena cavaqueira com sabor a morna que, de tão nocturna, não vislumbrava a aridez dos espaços.
A noite cobre a previsível planície com um manto de mistério, identidade difusa, podia ser um continente ou uma ilha, não há sinais de África nesta madrugada sonolenta, não fosse o autocarro coçado pelo tempo, os buracos que antecipavam a ausência de asfalto e as mutilações de guerra ostensivamente expostas à chegada ao país da paz.
Também não havia maneira de um iniciado identificar assim pelo cheiro e pelo tacto continente tão imenso e característico.
Pois não?
A noite de Santa Maria é a de um largo de província, mas com uma maturidade que surpreende e os olhares apenas esperam que a música se acenda nos bares deste local, os acenda e nos contagie em cenários bipolares.
Música, sedução, convívio e ousadia!
E a vida rola sem horas certas, numa noção difusa do dia e da noite – apenas o Sol faz pausas – uma impossibilidade dormente de distinguir os locais e os estrangeiros – esqueçam a cor da pele (nem por aí é óbvio) – tal a proximidade de ritmos e estilos, num completo e morno à vontade com o meio que os envolve num ritmo próprio, intemporal mas irreversível
A diferença entre o dia e a noite é a cor, um brilhante desmentido da escuridão assustadora e povoada dos paraísos tropicais – assim cheira e se pressente na escuridão
O equívoco desvanece-se com o amanhecer precoce!
Afinal também o deserto tem cor!